Papel Principal

29-Setembro-2007

Precisão na linguagem

Não há nada como um bom testemunho em tribunal.

Rigoroso, preciso, cientificamente inatacável, claro, evidente.

Entra nesta categoria toda a linguagem dos juízes e por contaminação directa a dos peritos em medicina legal.

E nessa linguagem que qualquer criança de 4 anos consegue perceber e até contar aos amigos, o pontapé foi elevado à categoria de "instrumento contundente".

Assim presumo que esta médica tenha entrado e saído do tribunal andando sobre os seus dois ou mesmo quatro (pés e mãos) intrumentos contundentes potenciais.

Portanto se é burro e tem patas, logo dá coices.

Um depoimento contundente.

Menina que morreu em Monção foi vítima de agressões com "instrumento contundente"
28.09.2007 – 13h13 Lusa


Uma perita do Instituto de Medicina Legal garantiu hoje que a menina de dois anos que morreu em Monção, em Dezembro do ano passado, foi vítima de pelo menos duas agressões "com instrumento contundente", admitindo como mais provável o pontapé.

Segundo Teresa Magalhães, directora da delegação do Norte do Instituto de Medicina Legal, que falava no Tribunal de Monção durante o julgamento do caso, a vítima terá sido agredida com dois pontapés "de intensidade importante", que lhe provocaram lesões mortais.

"O instrumento mais sugestivo nestas situações é o pontapé", frisou.

Anúncios

16-Setembro-2007

Casos de polícia II (comente aqui!)

Uma voz sem conteúdo é oca.

É a morte dum porta-voz.

Olegário Sousa era a cara da Polícia Judiciária para relatar a versão da PJ sobre o caso Maddie.

Claro que se o porta-voz nada sabe, nada pode dizer.

Faz por isso má figura.

Não ele. A organização. A PJ.

Como é possível a Polícia Judiciária uma das mais bem preparadas polícias do mundo não percerber e não usar os meios de comunicação social.

Podiam aprender qualquer coisa com os colegas da PSP e da GNR.

Portanto de Olegário sai, começa o imenso buraco negro da não-informação.

Se calhar já era assim antes.

É verdade: os Maccann tem 4 assessores de imprensa!

Bem que podiam emprestar um à Policia Judiciária.

15-Setembro-2007

Patos bravos

O mundo das televisões já não é o que era.pato_de_borracha.gif

90 mil patos com gripe era motivo suficente para as três televisões abrirem dez especiais e anunciar a chegada da pandemia de gripe humana. Mas nada disso aconteceu.

Estou a ficar preocupado com a perda de tiques tablóides da informação televisiva. Do chamado “infortainement”. A saudável mistura da informação e do espectáculo. A televisão em estado puro. A televisão perfeita.

Mas não. Os patos estão a ser massacrados e nenhuma repórter histérica grita na tv. O terrível vírus H5N2 anda aí à solta e ninguém proclama a peste negra, o fim do mundo.

E porquê?

Bom, o grande mérito é da malta da saúde.

Ontem à noite, enquanto os veterinários e restante pessoal da agricultura jantava em casa com a família – talvez um arroz de pato no forno – a equipa da saúde ocupou os telejornais.

Na rtp o director-geral da saúde Francisco George ganhou a abertura ao caso Maddie Maccan, a subdirectora Graça de Freitas acampou no jornal da SIC e ainda apareceu Helena Rebelo de Andrade uma investigadora e perita do Centro Nacional da Gripe.

O povo ouviu e descansou.

Hoje, às 19 horas, fala do director-geral de veterinária.

Será que tudo vai continuar calmo no Jardim Zoológico português?

Ou as televisões abrirão a época da caça ao pato?

10-Julho-2007

A estratégia da avestruz.

Filed under: Sem categoria — Pp @ 12:58
Tags: , , , , , ,

Estão volvidas mais de 12 horas sobre o lançamento duma nuvem de poluição sobre a cidade do Barreiro.

Uma nuvem de dióxido de enxofre em quantidade 3 vezes superior ao máximo permitido por lei.

O caso é tão grave que o Ministério do Ambiente mandou a fábrica parar de trabalhar.

O governo decidiu.

As populações e os ambientalistas protestam.

As autoridades de saúde locais dizem-se preparadas e informam que não há casos importantes registados de reacção aos químicos poluentes.

Todos representam o seu papel, menos a empresa que terá poluído.

A empresa responsável AP Amoníaco de Portugal não aparece a dar a cara.

Não explica o que aconteceu, não assume a responsabilidade, não se oferece para reparar o que fez.

Apenas fez uma pequena nota à Agência Lusa. Do director a sacudir a água do capote.

Nota zero em comunicação de risco em saúde pública.

Luís Almeida, director da AP-Amoníacos de Portugal, explicou então à Lusa que não existem descargas na fábrica, lembrando que as emissões são controladas pelas
entidades competentes.

Não existem descargas mas emissões fixas que emitem em continuidade e são controladas. Quando a caldeira é sujeita a intervenções, por vezes quando se ligam os ventiladores, as partículas são expelidas mas, em funcionamento, isso nunca acontece“, garantiu então Luís Almeida.

Site no WordPress.com.