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7-Novembro-2007

Porto e Benfica, golos e pernas partidas

A comunicação televisiva quase dispensa palavras de explicação.

E o gesto é tudo, para mostrar o quase tudo.

Vi, como muitos apaixonados pelo futebol, as duas partidas europeias do F.C. Porto e do Benfica.

Fiz o chamado zapping entre fintas, faltas e ocasiões de golo.

Retratei na minha memória emocional dois momentos de pura comunicação.

O primeiro magistral. Com um jogador do F.C. do Porto chamado Tarik Sektioui a fintar meia equipa francesa e a marcar um golo à Maradona.

Festejou e saiu aplaudido em pé.

O segundo brutal. Com um jogador do Benfica Bynia a dar uma patada na perna esticada e apoiada dum jogador adversário.

Foi expulso. Pergunto-me como estará aquela perna.

Tirando a bola, o futebol de ontem deu-me dois momentos de comunicação: o mais belo e o mais desgraçado.

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25-Outubro-2007

Bebés, coincidencias e o raio das estatísticas

Um bebé morto na barriga da mãe é uma tragédia.

Cinco bebés mortos num mesmo hospital é “uma coincidencia infeliz

Vale bem o prémio nobel ao sound-bite patético do ano.

Quem vê ou ouve pode acreditar num primeiro momento. Mas a eficácia desta declaração substitui-se rapidamente pela dúvida.

Instalada e permanente.

E o raio dos consumidores de notícias são desconfiados pra burro.

São intuitivos e emocionais.

Um choque frontal com a frieza dos médicos a contar mortos.

Cinco fetos-mortos no Hospital do Barreiro desde Setembro DR “Coincidência infeliz” O Hospital do Barreiro registou cinco fetos-mortos desde 20 de Setembro, um valor próximo do total de 2006 e que foi explicado como uma “coincidência infeliz”, noticiou hoje a rádio Antena 1.
Cinco fetos-mortos no Hospital do Barreiro desde Setembro –

RTP Informação

22-Outubro-2007

Menezes com a boca seca

Filed under: frase do dia,media,politica,RTP,televisão — Pp @ 12:51
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Um dos mais valiosos conselhos que se dá a alguém que vai falar na tv ou na rádio é que beba água.

Beba antes e beba durante.

É que um voz precisa de estar húmida para sair claro.

Óbvio que em televisões como a RTP cabe à produção dar água aos entrevistados.

Mas há alguns – como Menezes – que tem muita sede, e bebem tudo depressa.

A produção não tinha plano B e Menezes ficou à seca.

Seria nervos, ou, o Correio da Manhã avançou um outra explicação. Em forma de negação, mas está lá.

A entrevista com Menezes ficou marcada pela falta de água. Por outras palavras, o social-democrata bem cedo bebeu a que a produção lhe pôs à frente. Mesmo depois de acabar, o político continuou a levar o copo à boca, mas água… nem vê-la. Só, depois, nos bastidores é que voltou a satisfazer as necessidades.Luís Filipe Menezes, que não consome bebidas alcoólicas, garante quem o conhece bem, gosta muito de água.
Correio da Manhã

O procurador é gonzo

Descobri o jornalismo mais-do-que-perfeito.

O jornalismo Gonzo.

Há dias em que apetece mesmo armar ao pingarelho e gonzar com o jornalismo.

Aliás o conceito de “Gonzo” segundo o que se escreve na enciclopédia wikipédia, aplica-se ao último homem a cair numa bebedeira colectiva.

Este conceito de jornalismo Gonzo aplica-se na perfeição ao jornalismo político e judicial que se faz em Portugal.

O exemplo perfeito é a entrevista do Sol ao Procurador-Geral da República. O jornalista e o procurador decidiram "gonzar" de nós.

Gonzo é um estilo de narrativa em jornalismo, cinematografia ou qualquer outra produção de media em que o narrador abandona qualquer pretensão de objetividade e se mistura profundamente com a acção

19-Outubro-2007

Foi porreiro, pá.

A Presidência Portuguesa conseguiu o acordo dos 27 países da União para um novo tratado. Será o Tratado de Lisboa a assinar dia 13 de Dezembro.

Um grande momento merece sempre um bom sound-bite. Uma boa frase, curta, clara e que fique para a história.

Imagino que enquanto José Sócrates brindava com champanhe – não com vinho do Porto – ao novo tratado, os seus conselheiros de comunicação escreveram a seguinte frase:

"Nasceu hoje o novo Tratado de Lisboa. É uma vitória da Europa"

Foi a frase que o primeiro-ministro disse para a História.

Era o som perfeito. A imagem que nenhuma tv perderia.

Pois…

Mas um sound-bite bom só pode ser ultrapassado por… um sound-bite perfeito.

E foi o que aconteceu.

Contente, extasiado, aliviado e até animado pelas bolhas de champanhe, José Sócrates soltou o som do dia dirigindo-se a Durão Barroso, mesmo no fim da declaração à imprensa

"Foi porreiro, pá"

17-Outubro-2007

A verdadeira violência: Guerra na RTP

Filed under: media,RTP,televisão — Pp @ 9:20
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Documentário "A Guerra".

Brutal. Hiper-realista.

Os maus dum lado e os maus do outro.

A frieza com que vi os homens da guerra dum lado e do outro a falar da morte dos outros é impressionante.

Se querem uma boa explicação de porque estão cheias as notícias a televisão de violência e sangue ela está neste documentário.

Pela força narrativa.

Pelos personagens que destilam um ódio quase natural pelo semelhante.

Se querem um boa justificação para exisitir um serviço público de televisão "A Guerra" e a excelência do jornalismo de joaquim Furtado é motivo suficente.

Mas a "Guerra" vai relançar fantasmas e ódios descansados por 30 anos.

14-Outubro-2007

Santanisses, constipações e outras birras

Filed under: media,politica,televisão — Pp @ 17:33
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Se estiver sem imaginação, zangado com o mundo e farto de jornalistas, faça como Santana Lopes.

Não fale. Amue. Faça-os sentir que precisam de si. Crie um facto notícia.

E no topo do bolo a cereja: acirre os comentadores. Atice-os como um bando de cães raivosos.

Pronto. Pode sair. Ir para casa.

Ligue a televisão e leia os jornais.

Delicie-se com o seu efeito mediático.

O seu Ego crescerá como uma Lua Cheia.

Melhor do que falar no congresso morno e em lusco-fusco.

O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes disse este domingo, à entrada do XXX Congresso do PSD, a decorrer em Torres Vedras, que lhe faltou “disposição” para intervir nos trabalhos da reunião.

Faltou-me disposição, o que querem que eu faça? Para além de estar constipado

, justificou o ex-líder do PSD.

“Eu não falei porque entendi não falar. Se falo, os militantes dizem que quero ter protagonismo, se não falo é porque estou zangado”, continuou Santana Lopes, laçando o desafio a comentadores “emproados” que deram declarações às televisões.

O ex-governante não poupou críticas aos comentadores, afirmando que foram autores de “comentários absolutamente inacreditáveis”.

Correio da Manhã

12-Outubro-2007

Morreu Paulo Autran

Filed under: media,televisão — Pp @ 22:05
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Morreu o actor brasileiro Paulo Autran.

Para aprender deixa-nos a relação com a camera e as frases certeiras.

Autran é afecto e estética.

Brilhante como actor. Sublime como comunicador.

SÃO PAULO – Paulo Autran morreu nesta sexta-feira, aos 85 anos, em São Paulo. Leia abaixo frases que marcaram os 58 anos de carreira do ator.

“O teatro é sempre um desafio. Tenho muita pena do ator que diz que determinado papel tira de letra, porque isso quer dizer que ele vai se repetir. Qualquer que seja o personagem você tem que descobrir as características muito específicas dele para que não fique igual do outro que você fez, porque cada um tem sua característica e sua personalidade”

’’Na minha cabeça eu não sou nada de melhor do que os outros”

"Fumo desde os 23 anos, não faço exercício, como de tudo e não tenho horário para nada. Não quero ser um exemplo"

"Deveria ter parado de fumar há 61 anos, no dia em que comecei”

"Meu próximo projeto para a televisão é não fazer televisão (…) Fazer TV é muito chato"

"A crise no teatro é um assunto eterno. Começou na Grécia, junto com o teatro. Mas o que chamam de crise é benéfico ao teatro, faz com que ele seja diferente da TV e do cinema, é a crise que estimula”

"É um prazer levar literatura ao rádio. Quem sabe não conseguimos resgatar a emoção dos ouvintes"

"Juntei bastante cuspe e cuspi com prazer no Paulo Francis" (Autran saiu em defesa da atriz Tônia Carrero, que estava sendo alvo do colunista)

"Nunca havia dado um soco em ninguém. É difícil, sabe? O corpo se contrai, o braço fica sem força" (ainda sobre a briga com Francis)

"Quando escrevi minha última poesia ela era bem pior do que a primeira, então costumo dizer que, em benefício da literatura brasileira, nunca escrevi poesia"

"Apesar de todos os problemas econômicos, não se pode ignorar o fato de que estamos em plena democracia e esta foi uma vitória do povo brasileiro. Mas todos nós esperamos que o Brasil melhore ainda mais"

"Eu não me afastei do cinema, gosto muito de fazer cinema. O cinema é que se afastou de mim. Recebo poucos convites e geralmente os scripts não me interessam"

"Enjoei de fazer novela. Aquela coisa dos próximos capítulos, de ficar muito tempo preso a uma mesma historinha, era muito chata, embora sempre me divertisse na hora de gravar"

"Não costumo dar conselhos, porque é bobagem… Mas, quem quiser seguir, é uma boa dica" (ao responder sobre a opção de não dividir o mesmo teto com a esposa)


Cultura – Último Segundo – As frases de Paulo Autran

11-Outubro-2007

O Ronaldo da PJ explica caso Joana

Brilhante, Paulo Cristovão.22897_ge_paulo_cristovao

Salvé Judite de Sousa.

À melhor entrevista do ano.

As perguntas certas. As respirações necessárias. A intensidade óptima.

Mérito da entrevistadora.

As respostas certas, as mensagens certeiras. As frases curtas. O saber e a experiência nítida no relato.

Mérito do entrevistado.

Um único senão: a frieza com que falava da menina Joana. Acredito que por efeito da carapaça profissional, mas a televisão bebe as emoções e despreza o gelo.

Entrevista cheia. Bom conteúdo boa forma.

Entrevista a Paulo Cristovão ex-PJ e investigador do caso Joana.

Cumpriram-se todos os objectivos: boa entrevista (boa audiência?), aumento da venda de livros, critica cerrada à hierarquia de PJ.

É um diamante como comunicador e tem grande futuro como comentador/perito e escritor. Escola Moita Flores no esplendor.

05 de Setembro de 2007

“A estrela de Joana” é o título do livro de Paulo Cristóvão, ex-inspector da Polícia Judiciária (PJ), que participou nas investigações do caso da morte de Joana Cipriano, a criança de 8 anos assassinada, em Setembro de 2004, em Aldeia da Figueira, Portimão, pela mãe e pelo tio, que cumprem agora uma pena de 16 anos de prisão. O corpo de Joana nunca chegou a aparecer, facto que dificultou as investigações, mas Cristóvão apresenta no livro – posto à venda ontem – a sua tese sobre o homicídio. “Este caso foi algo que me marcou enquanto polícia. A obra apresenta-se como uma homenagem a uma criança que sofreu muito e a muitos polícias que se esforçam imenso para desvendar casos como estes e que nem sempre são tratados com respeito”, conta Paulo Cristóvão ao JN. Joana, segundo o ex-inspector, era uma criança que sofria de muitos abusos. “Quando falo em abusos não seriam propriamente abusos sexuais, mas de acordo com os sinais que a criança apresentava à sociedade seria vítima de uma educação incorrecta”, acrescenta. “O facto de ser demasiado adulta para a sua idade e de ser introspectiva eram indícios de que seria maltratada”, conta o autor. Uma fase difícil da investigação foi o contacto com os homicidas, que tinham “uma atitude de alguém que não assume uma postura dinâmica de cooperação. Mesmo de acordo com o perfil traçado pelo Instituto de Medicina Legal, eram pessoas que apresentavam traços de psicopatia, concebendo a realidade com base naquilo em que acreditam”, acrescenta. Na teoria de Paulo Cristóvão, o homicídio de Joana não foi premeditado. A criança terá sido agredida e seguidamente morta, sendo que depois os culpados se terão adaptado ao facto, tentando remediá-lo. Após ter sido morta, a menina terá sido levada para Espanha, tal como confessou o tio, João Cipriano. De acordo com o seu testemunho, foi levada pelo padrasto e por um colega deste para Espanha, onde o corpo foi metido num carro destinado a ser “compactado”. “Acima de tudo, pretendo também mostrar às pessoas que têm uma PJ com quem podem contar, que não está preocupada com as penas aplicadas, mas sim em desvendar um caso fazendo a verdade aparecer. Além disso quero ainda sensibilizar as pessoas para eventuais outras Joanas que andem por aí”, explica Cristóvão. O ex-inspector dedica-se agora à consultoria e frisa que parte dos lucros das vendas do livro revertem para o refúgio Aboim Ascensão, instituição de Faro que cuida de crianças abandonadas.

LIVRO RELACIONADO
A ESTRELA DE JOANA
ISBN 9789722338202
Colecção: Grandes Narrativas

€12,50
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