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4-Janeiro-2008

O INSPECTOR, A LEI, A CIGARRILHA, O CASINO E O PAÍS PACÓVIO

Filed under: media,RTP,televisão — Pp @ 12:34

Há peças jornalisticas absolutamente geniais.

Em três parágrafos Fernanda Câncio diz tudo o que eu penso do homem que inventou uma lei particular para si.

E fumou descaradamente numa sala de espectáculos justificando que a lei do tabaco não se aplica ali.

Ainda hei-de ver um polícia a alegar que no seu carro patrulha nã ose aplica a lei do alcool.

Ou mesmo que o Ministro da Administração Interna ou o procurador declarar a sua casa como zona franca.

Será que o Inquisidor-Mor do Reino o senhor ASAE leu alguma coisa sobre "estado de direito"?

O INSPECTOR, A LEI, A CIGARRILHA, O CASINO E O PAÍS PACÓVIO


Fernanda Câncio
jornalista
fernanda.m.cancio@dn.pt

Não é ouro sobre azul, mas é preto sobre prata, o acaso que juntou, na noite da passagem de ano e no salão do mesmo nome do Casino Estoril, o inspector António Nunes, notório líder da ainda mais notória ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), e a repórter do DN Céu Neves. A Céu Neves estava lá para reportar o concerto de Woody Allen. O inspector, coitado, devia lá estar para passar um bom bocado e eis que se transformou em notícia, ao vivo, a cores, e até com cheiro, ao ser visto pela Céu a saborear uma cigarrilha nas primeiras horas da entrada em vigor da lei do tabaco, que o organismo que chefia tem a incumbência de fiscalizar. O fotógrafo Tiago Melo enquadrou-o e zás, uma imagem que já correu mundo (a agência Reuters pegou nela, como a BBC, o New York Times e o Der Spiegel).

António Nunes lá arranjou uma explicação: que estava num casino e que a lei do tabaco não se aplicava ali. Assis Ferreira, do casino, veio reiterar: que a lei do jogo se sobreporia à outra, etc. e tal. O que, a bem dizer, é extraordinário por três razões: porque a lei do jogo não diz nada sobre o fumo do tabaco a não ser que se devem criar "sempre que possível", nas salas de jogo, espaços para não fumadores – o que significa apenas que assumia o princípio geral anterior à nova lei, o de que os não fumadores eram os parentes pobres, discriminados em todo o lado; porque se a lei do jogo se sobrepusesse à do tabaco, também se sobreporia a similares como a da droga, o que implicaria poder-se snifar coca e fumar chinesas no salão preto e prata; e porque as respostas de Nunes e Ferreira significam que ou não sabem do que falam – e exigia-se que soubessem – ou estão a inventar desculpas tristemente sem pés nem cabeça.

O pior de tudo isto, porém, não é o péssimo exemplo que o dirigente da ASAE, grande inquisidor da colher de pau e da bola de berlim, deu ao país todo na matéria do cigarro, numa espécie de licença tácita para abandalhar. Nem a descredibilização do seu papel e do da entidade que chefia. Nem o facto de vermos deputados a terem de "analisar" uma lei que aprovaram, a ver se a percebem (e a exigirem ao director-geral da Saúde que os esclareça, que lata), ou um casino a tentar não pagar uma multa. O pior de tudo isto é a pacovice provinciana de um país que, cinco meses e meio após a aprovação da lei, acorda para a realidade como se lhe tivessem decretado de surpresa as novas regras e como se leis como esta – e mais rigorosas que esta – não estivessem em vigor, há anos, noutros países, onde, diz-se, parece que também há casinos, e discotecas, e restaurantes, e cafés, e pubs e, imagine-se, fumadores. E onde, consta, ninguém foi à falência ou se suicidou.

DN Online: O INSPECTOR, A LEI, A CIGARRILHA, O CASINO E O PAÍS PACÓVIO

(via Google)

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2-Janeiro-2008

Melhor que tabaco só alcool

cmgatosEstá provado: os Gatos também bebem.

Segundo: a lei de que um jornalista dos tablóides acompanha sempre as grandes operações de stop, também.

Pois depois do presidente da ASAE, agora foi o Gato Zé Diogo Quintela que foi apanhado com excesso de champanhe no sangue.

Ó Gato: se conduzir não beba!

Pelo menos se conduzir automóveis. Se for um programa de televisão até pode ser divertido.

Bom Ano!

26-Novembro-2007

Como despedir um popular

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Despedir uma estrela é sempre uma má decisão.

No limite poderemos perguntar quanto nos custa manter essa estrela.

Os exemplos do futebol são aqui muito reveladores. Quando um jogador faz uma birra ou diz que quer sair do clube, pouco ou nada os clubes podem fazer.

É tudo uma questão de números.

Numa empresa de comunicação os números medem-se em audiências. Ou se preferirem, em popularidade.

E aqui entre Almerindo Marques e José Rodrigues do Santos a distância é abissal.

O monstro e a bela.

E como diz a frase "em casa de ferreiro, espeto de pau"

25-Outubro-2007

Bebés, coincidencias e o raio das estatísticas

Um bebé morto na barriga da mãe é uma tragédia.

Cinco bebés mortos num mesmo hospital é “uma coincidencia infeliz

Vale bem o prémio nobel ao sound-bite patético do ano.

Quem vê ou ouve pode acreditar num primeiro momento. Mas a eficácia desta declaração substitui-se rapidamente pela dúvida.

Instalada e permanente.

E o raio dos consumidores de notícias são desconfiados pra burro.

São intuitivos e emocionais.

Um choque frontal com a frieza dos médicos a contar mortos.

Cinco fetos-mortos no Hospital do Barreiro desde Setembro DR “Coincidência infeliz” O Hospital do Barreiro registou cinco fetos-mortos desde 20 de Setembro, um valor próximo do total de 2006 e que foi explicado como uma “coincidência infeliz”, noticiou hoje a rádio Antena 1.
Cinco fetos-mortos no Hospital do Barreiro desde Setembro –

RTP Informação

22-Outubro-2007

Menezes com a boca seca

Filed under: frase do dia,media,politica,RTP,televisão — Pp @ 12:51
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Um dos mais valiosos conselhos que se dá a alguém que vai falar na tv ou na rádio é que beba água.

Beba antes e beba durante.

É que um voz precisa de estar húmida para sair claro.

Óbvio que em televisões como a RTP cabe à produção dar água aos entrevistados.

Mas há alguns – como Menezes – que tem muita sede, e bebem tudo depressa.

A produção não tinha plano B e Menezes ficou à seca.

Seria nervos, ou, o Correio da Manhã avançou um outra explicação. Em forma de negação, mas está lá.

A entrevista com Menezes ficou marcada pela falta de água. Por outras palavras, o social-democrata bem cedo bebeu a que a produção lhe pôs à frente. Mesmo depois de acabar, o político continuou a levar o copo à boca, mas água… nem vê-la. Só, depois, nos bastidores é que voltou a satisfazer as necessidades.Luís Filipe Menezes, que não consome bebidas alcoólicas, garante quem o conhece bem, gosta muito de água.
Correio da Manhã

17-Outubro-2007

A verdadeira violência: Guerra na RTP

Filed under: media,RTP,televisão — Pp @ 9:20
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Documentário "A Guerra".

Brutal. Hiper-realista.

Os maus dum lado e os maus do outro.

A frieza com que vi os homens da guerra dum lado e do outro a falar da morte dos outros é impressionante.

Se querem uma boa explicação de porque estão cheias as notícias a televisão de violência e sangue ela está neste documentário.

Pela força narrativa.

Pelos personagens que destilam um ódio quase natural pelo semelhante.

Se querem um boa justificação para exisitir um serviço público de televisão "A Guerra" e a excelência do jornalismo de joaquim Furtado é motivo suficente.

Mas a "Guerra" vai relançar fantasmas e ódios descansados por 30 anos.

11-Outubro-2007

O Ronaldo da PJ explica caso Joana

Brilhante, Paulo Cristovão.22897_ge_paulo_cristovao

Salvé Judite de Sousa.

À melhor entrevista do ano.

As perguntas certas. As respirações necessárias. A intensidade óptima.

Mérito da entrevistadora.

As respostas certas, as mensagens certeiras. As frases curtas. O saber e a experiência nítida no relato.

Mérito do entrevistado.

Um único senão: a frieza com que falava da menina Joana. Acredito que por efeito da carapaça profissional, mas a televisão bebe as emoções e despreza o gelo.

Entrevista cheia. Bom conteúdo boa forma.

Entrevista a Paulo Cristovão ex-PJ e investigador do caso Joana.

Cumpriram-se todos os objectivos: boa entrevista (boa audiência?), aumento da venda de livros, critica cerrada à hierarquia de PJ.

É um diamante como comunicador e tem grande futuro como comentador/perito e escritor. Escola Moita Flores no esplendor.

05 de Setembro de 2007

“A estrela de Joana” é o título do livro de Paulo Cristóvão, ex-inspector da Polícia Judiciária (PJ), que participou nas investigações do caso da morte de Joana Cipriano, a criança de 8 anos assassinada, em Setembro de 2004, em Aldeia da Figueira, Portimão, pela mãe e pelo tio, que cumprem agora uma pena de 16 anos de prisão. O corpo de Joana nunca chegou a aparecer, facto que dificultou as investigações, mas Cristóvão apresenta no livro – posto à venda ontem – a sua tese sobre o homicídio. “Este caso foi algo que me marcou enquanto polícia. A obra apresenta-se como uma homenagem a uma criança que sofreu muito e a muitos polícias que se esforçam imenso para desvendar casos como estes e que nem sempre são tratados com respeito”, conta Paulo Cristóvão ao JN. Joana, segundo o ex-inspector, era uma criança que sofria de muitos abusos. “Quando falo em abusos não seriam propriamente abusos sexuais, mas de acordo com os sinais que a criança apresentava à sociedade seria vítima de uma educação incorrecta”, acrescenta. “O facto de ser demasiado adulta para a sua idade e de ser introspectiva eram indícios de que seria maltratada”, conta o autor. Uma fase difícil da investigação foi o contacto com os homicidas, que tinham “uma atitude de alguém que não assume uma postura dinâmica de cooperação. Mesmo de acordo com o perfil traçado pelo Instituto de Medicina Legal, eram pessoas que apresentavam traços de psicopatia, concebendo a realidade com base naquilo em que acreditam”, acrescenta. Na teoria de Paulo Cristóvão, o homicídio de Joana não foi premeditado. A criança terá sido agredida e seguidamente morta, sendo que depois os culpados se terão adaptado ao facto, tentando remediá-lo. Após ter sido morta, a menina terá sido levada para Espanha, tal como confessou o tio, João Cipriano. De acordo com o seu testemunho, foi levada pelo padrasto e por um colega deste para Espanha, onde o corpo foi metido num carro destinado a ser “compactado”. “Acima de tudo, pretendo também mostrar às pessoas que têm uma PJ com quem podem contar, que não está preocupada com as penas aplicadas, mas sim em desvendar um caso fazendo a verdade aparecer. Além disso quero ainda sensibilizar as pessoas para eventuais outras Joanas que andem por aí”, explica Cristóvão. O ex-inspector dedica-se agora à consultoria e frisa que parte dos lucros das vendas do livro revertem para o refúgio Aboim Ascensão, instituição de Faro que cuida de crianças abandonadas.

LIVRO RELACIONADO
A ESTRELA DE JOANA
ISBN 9789722338202
Colecção: Grandes Narrativas

€12,50

10-Outubro-2007

Salvem o Zé, da politica

José Rodrigues dos Santos deixou de ser um ícone do jornalismo e passou a ser uma granada de mão política.Meninos, aos vossos postos…

Quem é do PS, levante o dedo… Quem é contra o PS, grite e urre… Quem é do PS e mas não chupa este governo, assobie…

Não percebo de que lado está Ana Gomes, mas este post parece-me inspirador.

É tão confuso e nubloso como as alegadas pressões que alegadamente JRS diz que eventualmente existiram na RTP.

Vocês sabem do que eu estou a falar…

http://causa-nossa.blogspot.com/2007/10/jos-rodrigues-dos-santos.html
permanent link

(via Causa Nossa)

Especulação jornalística

Filed under: RTP,sic,tvi — Pp @ 0:22
Tags: , ,

Especular é como fazer amor sem ejacular.

Abriu a caça

Filed under: RTP,sic,tvi — Pp @ 0:18
Tags: , ,
Abriu a caça ao Zé.
SIC e TVI na corrida.
Popular apresentador pondera entre aceitar os convites ou partir para Lanzarote, ilha de escritores.
Polémica no canal público
RTP nega suspensão de Rodrigues dos Santos
Luís Marques, administrador da RTP, revelou ao SOL que «o Sr. Dr. José Rodrigues dos Santos não foi suspenso». O jornalista também não tem conhecimento de qualquer processo disciplinar e afirmou não ter medo do comunicado emitido pelo Conselho de Administração do canal público: «A razão da força pode estar do lado da Administração, mas a força da razão está do meu lado»

Sol

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