Papel Principal

29-Novembro-2006

Nasceu um comunicador

Filed under: Sem categoria — Pp @ 22:33
Tags:

O Senhor Presidente voltou ao normal.

Já tinha saudades.

O Senhor Presidente abandonou o estilo simpático, afável e quase-me-convences-a-votar-em-ti… e voltou ao estado normal.

Em bom rigor devo dizer que o Senhor Professor está de novo hirto e duro que nem uma barra de ferro.

Mas estas nuances mediáticas já nos fizeram apreender muito.
E esse regresso à normalidade com notórios dotes de comunicação esteve de volta esta noite no anúncio da data do referendo ao aborto.

Não liguem ao conteúdo, apenas à forma.
Sabemos agora que todos os portugueses o ouvem e percebem melhor se:

  1. O Sr Presidente se esforçar por olhar para baixo
  2. Aparecer teso e duro
  3. Mostrar angústia existencial durante a fala
  4. Articular com notória dor maxiliar
  5. Não olhar a camara (nós, olá!!! Cucu!!)
  6. Ler um discurso traduzido do turco moderno por um Juíz do Tribunal Constitucional
  7. Nunca usar palavras simples
  8. Desaparecer rapidamente para longe dessa praga chamada imprensa
  9. Os jornalistas tem sarna
  10. Eu fico bem na TV se não comer bolo rei em público.

Temo porém que esta última regra possa ser quebrada ainda antes do Reis.

Se tal contecer os cartonistas e a TVI ganham um brinde e os Homens do Presidente, a fava.

Anúncios

A publicdade faz-me dor de estomago

Filed under: Sem categoria — Pp @ 15:43
Tags:

Pémio Nobel à Publicidade disfarçada de notícia.

A Bayer Health Care mandou a sua agência de comunicação a Inforpress enviar para as redacções um “comunicado de imprensa”.

Tudo bem, excepto se ao contrário de uma comunicado de imprensa normal, não conter notícia (ou pretensão a ser notícia), mas ser simplesmente

PUBLICDADE DESCARADA!
Para saberem do que estou a falar e porque estou com azia, junto o dito “comunicado de imprensa”, que me foi gentilmente cedido por uma “espião” amigo por acidente jornalista.

“Comunicado de Imprensa
27/11/2006

Para os excessos da quadra natalícia
UM NATAL SEM PROBLEMAS DE ESTÔMAGO

Com a aproximação da consoada chegam as iguarias próprias da época: sonhos, filhozes, chocolates, azevias, perú recheado, vinho do porto… Alimentos deste tipo e refeições prolongadas, mesmo com todos os cuidados podem deixar desconfortáveis indisposições, causadas pela azia, acidez do estômago, indigestão e enfartamento.

Rennie® permite o alívio rápido e eficaz das indisposições, neutralizando em poucos minutos o ácido presente no estômago. A composição é de origem natural, sendo os seus componentes o carbonato de cálcio e carbonato de magnésio.
Duas pastilhas do antiácido contêm o mesmo cálcio que 4,5 dl de leite ou 50 g de queijo emental.

Ao contrário de outros antiácidos Rennie® não contém alumínio. O uso prolongado de antiácidos com alúminio pode debilitar os ossos e esgotar o fósforo e cálcio do organismo, e o alúminio em excesso pode também causar obstipação. O único alumínio que existe em Rennie® está na embalagem.

O produto está indicado para casos de azia, enfartamento, “estômago pesado” e acidez.
Rennie® pode ser utilizado na gravidez. É prático, podendo ter as pastilhas sempre à mão.

Neste Natal, problemas de estômago? Tome Rennie e já está! “

27-Novembro-2006

Cavaco Silva: 17 horas em notícias de televisão

Filed under: Sem categoria — Pp @ 13:06
Tags:

in marktest, MediaMonitor,

Nos seus primeiros seis meses como Presidente da República, Cavaco Silva foi referido por 17 horas em notícias de televisão, de acordo com dados do serviço Telenews da MediaMonitor.
Os “jornais” regulares da RTP1, 2:, SIC e TVI emitiram um total de 483 notícias com referências a Cavaco Silva durante os seus primeiros seis meses como Presidente da República (de 10 de Março a 9 de Setembro de 2006). Este número representa 1.2% do total de notícias então emitidas.
A RTP1 foi o canal que mais peças com referências a Cavaco Silva emitiu neste período, num total de 172, o que correspondeu a 35.6% do total. A TVI foi o segundo canal com mais matérias com referências ao Presidente, 118. Na SIC passaram 108 notícias e na 2: foram exibidas 85 peças.

No período em análise, as notícias com referência a Cavaco Silva tiveram uma duração total de 17 horas e 12 minutos. A RTP1 exibiu 35.8% deste valor, a SIC, 26.3%, a TVI, 22.3% e a 2: 15.6%. Dois minutos e oito segundos foi a duração média das notícias com referências a Cavaco Silva, um valor que sobe para os 2 minutos e 31 segundos na SIC e se situa nos 2 minutos e 9 segundos na RTP1, 1 minuto e 57 segundos na TVI e 1 minuto e 54 segundos na 2:.

As notícias com referências a Cavaco Silva representaram 1.4% do tempo dedicado à informação nos “jornais” televisivos regulares neste período. Esta análise considera apenas os serviços regulares de informação dos canais em análise no período compreendido entre 10 de Março e 9 de Setembro de 2006, segundo a seguinte
in http://www.marktest.pt/produtos_servicos/Mediamonitor/default.asp?c=1485&n=1609

A dor de uma frase forte

Filed under: futebol — Pp @ 12:38
Tags: , ,

“Senti logo que a lesão era grave, pois, quando olhei para o joelho, a rotula estava no músculo”
Hélder Barbosa, jogador de futebol.

Um bom exemplo de explicar tudo numa frase só.
Os jogadores de futebol, quase sempre acusados de “falar com os pés“, de vez em quando são mais acertivos que ninguém.

Geralmente acertam em cheio quando o assunto tem elevada carga dramática. Como é o caso da grave lesão deste jovem e talentoso futebolista.
Perante uma lesão grave contraída num jogo particular Hélder Barbosa diz “Senti logo que a lesão era grave...” Gastou 7 palavras para contar com clareza e lucidez algo que um médico levaria 5 minutos de palavras dificeis para explicar. Paleio tipo “a rotura do tendão rotuliano com acscensão da cartilagem junto do osso femural…

O que é simples, claro, directo e emotivo vale sempre mais.
Comunica mais e até os leitores da Bola (de onde vem esta noticia) conseguem perceber.

Depois da frase forte e clarividente pode explicar-se os pormenores. Por exemplo que o jogador ficará sem pisar os relvados por um longo período depois da habitual cirurgia.

Se quiser citar o grande criador de sound-bytes do futebol português, João Pinto ex jogador do F.C. Porto e da selecção nacional, diria que ao contrário de ter “chutado com o pé que tinha mais à mão” Hélder entrou com o pé esquerdo no jogo.

O elefante ganha espaço

Filed under: Sem categoria — Pp @ 12:32
Tags:

 

In Diário Económico

26-Novembro-2006

Morreu Cesariny

Filed under: Sem categoria — Pp @ 15:24
Tags: ,

Morreu o maior poeta surrealista português.
Aparece neste blog como homenagem a quem nos ensinou com magia, como comunicar melhor.
Deixo um poema. E um quadro.

“Faz-me o favor…
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor — muito melhor!–
Do que tu.
Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.”

25-Novembro-2006

Ministro da Saúde e a sua Grande Boca

Filed under: Sem categoria — Pp @ 2:59
Tags:


“Os grupos privados [do sector da saúde] têm a sua política e pagam aos seus jornalistas para porem notícias nos jornais e nas televisões”

Correia de Campos, ministro da Saúde, SIC Notícias, 23-11-2006

Vais longe vais.

  1. Os jornalistas não se compram
  2. Os jornalistas ficam irritados quando lhes tiram a assistência médica (Caixa dos Jornalistas)
  3. Os jornalistas chegaram a ter uma leve simpatia pela sua pessoa
  4. E esse afecto não lhe custou dinheiro, pois não?
  5. Os seus sound-bytes já tiveram graça mas agora estão a ficar repetitivos
  6. O senhor ministro deveria saber que é feio levantar suspeitas sobre outras pessoas sem provas
  7. Se tem provas espero que já as tenha feito chegar à Justiça.
  8. Ou será que era afinal mais uma “boca” desmiolada?

Cumprimentos, ministro.

24-Novembro-2006

Gripe a pandemia mediática

Filed under: Sem categoria — Pp @ 17:17
Tags: ,

O excesso de comunicação é pior que o excesso de velocidade.

Mas pior do que andar a 200/h numa auto-estrada é apanhar uma lesma a 40 km/h. Atrapalha e não sai da pista.

A velocidade da comunicação sobre a gripe pandémica varia do pânico geral ao congelamento.

Vamos aos factos:

A Direcção-Geral da Saúde avisou publicamente que as vacinas da gripe eram escassas (como todos os anos) e que por isso a prioridade era vacinar os doentes crónicos e os velhos.

Com a conversa mediática sobre a Grande Gripe Que Aí Vem em fundo o povo percebeu rapidamente que ia haver racionamento.

Como é???!! Não vou ter vacina para a gripe???? Isso é que vamos ver!!!

O tuga como sempre dedicou-se a desenrascar. Choramingou junto do médico de família, meteu uma cunha ao farmacêutico, arranjou várias receitas, inventou que era muito doente….

E pelo sim, pelo não, encomendou a vacina da gripe em 10 farmácias diferentes. Ficou em lista de espera… e esperou.

Quando a industria farmacêutica colocou os lotes à venda, o tuga conseguiu a sua vacina.

E como o tuga satisfeito quer que o próximo se lixe, não avisou as outras farmácias onde estava à espera.

Está bom de ver o que aconteceu: as vacinas começaram a sobrar nas farmácias, os armazenistas cancelaram as encomendas e as fábricas de vacinas começaram a fazer contas ao dinheiro perdido.

O pior é que nem metade dos que deviam levar a vacina a tomaram.

Portanto, a comunicação exagerada levou a uma corrida às farmácias. A falta de comunicação levou à sobra de medicamentos.

Mas a existência mediática é uma onda sem fim.

Agora fala-se outra vez na gripe e a procura das vacinas voltará a crescer.

E todos ficamos felizes e a ganhar. A indústria, os media e o Grande Estado que a todos protege com carinho e amor.

Quando é a próxima? Estou

ansioso.

22-Novembro-2006

Vou matar-me e tu vais ficar sem as duas coisas que mais amas no mundo

Filed under: Sem categoria — Pp @ 10:36
Tags:
Um "sound-byte" perfeito incorpora toda a emoção do mundo.
Se alguém não perceber porque razão o Correio da Manhã ou o 24 horas vendem muito a hístória que aqui reproduzo (CM de hoje 22-nov) chega e sobra.
Esta pequena, breve, simples e arrepiante história mostra a razão pela qual o povo fica tão bem nas notícias.
E já agora que os factos da vida (e da morte) são muito mais importantes que a política que ocupa espaço nos jornais e TV.
 
Basta ler.
 
"Marco de Canaveses: separação de casal leva a tragédia
Afogou-se com os filhos

Vou matar-me e tu vais ficar sem as duas coisas que mais amas no mundo.” Foram as últimas palavras, escritas numa carta, que Maria do Rosário Durães Pinto dirigiu ao marido, de quem estava separada há um mês, anunciando a tragédia que mais tarde concretizou. Os irmãos Catarina, de dez anos, e António Manuel, de sete, morreram afogados – de roupão e pijama –, depois da mãe os ter tirado da cama e atirado o carro onde os três seguiam às águas do Rio Tâmega, em Marco de Canaveses, às 02h00 de ontem. Ao saber da tragédia, o pai das crianças tentou matar-se. "

 

versão original em http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=221908&idselect=10&idCanal=10&p=200

 

17-Novembro-2006

Como ser citado(?)

Filed under: Sem categoria — Pp @ 23:33
Tags:

Quando me convidam para falar em conferências ou simples apresentações, quem me ouve tem sempre uma pergunta na ponta da língua: como posso fazer aparecer uma notícia num jornal?
Ou fazer-me ouvir na rádio, ou – oh perfeição – aparecer na televisão.

É o sonho perseguido dos 3 minutos de fama a que todos temos direito.
A resposta não é simples e quase sempre devolvo a pergunta: Quando esse momento chegar, estão prontos para fazer boa figura? Ou como os estudantes cábulas apenas estudam de véspera?

A imprensa no geral e a fauna jornalistica precisa de ser alimentada. E habitualmente esta espécie de animal alimenta-se de notícias. O processo digestivo é curioso: eles perguntam, você responde. Eles ruminam até à hora do fecho (hora em que a notícia tem que estar pronta para ser impressa, falada ou emitida). E finalmente eles colocam a papinha toda feita ao dispôr dos senhores consumidores.

Calro que para este belo processo correr bem convem que o alimento seja de boa qualidade (a fonte), o jornalista esteja equipado com um cérebro (operário trabalhando) e sem azia. E finallmente que o consumidor (telespectador ou leitor) tenha algum interesse na informação.

Ora no tamanho do interesse do consumidor ou no do cérebro do escriba é dificil fazer modificações. Excepto por transplante ou abate sanitário.

Resta-nos mudar os fornecedores. As fontes “desinteressadas” das notícias de amanhã.
Para começar, explicar-lhes que desinteressada não é sinónimo de desinteressante.
E para isso há que produzir boas declarações que sejam citáveis pelos jornalistas.

E como?
Seguindo a receita da tia Micas

Assim para ser citado só tem que aplicar uma nove regras (uma de cada vez!!!)

  1. Faça analogias.
  2. Mostre Coragem (seja Bravo)
  3. Coloque Emoção
  4. Ataque sem dó nem piedade
  5. Use frases feitas (os Clichés)
  6. Faça umas piadas (de preferência de bom gosto)
  7. Siga a tendência da moda ( a cultura Pop)
  8. Use a retórica (isso mesmo, aquela vazia. a dos políticos)
  9. E oponha-se a qualquer coisa. Oponha-se ao Túnel do Marquês, ao Governo, ao Papa, ao Benfica, à poluição.

Va lá experimente a receita e até pode comentar neste Blog, como correu o seu exercício mental ou a sua actuação em directo.

Página seguinte »

Create a free website or blog at WordPress.com.