O sindicalista, o polícia e o power point
Estou a ouvir um sindicalista a falar.
Está a fazer uma apresentação, falando num palanque e com a ajuda dum computador.
Fala longamente.
O power point (um programa que organiza e projecta diapositivos dos tempos modernos), o power point tem mil e uma páginas, tem páginas escritas com dezenas de linhas.
Aqui sentado na minha cadeira, no auditório, não consigo ler nada. Ninguém consegue.
O tom da conversa é monocórdico, mortiço, adormecido.
A comunicação falha rotundamente. O auditório dorme. Eu também.
A menos que apareça um polícia a espreitar ou a levar o computador do sindicalista, não levo daqui nenhuma notícia.
O Portugal do antigamente com longas e vetustas apresentações, continua igual.
As salas grandes, os palestrantes chatos, o cheiro a mofo.
A televisão é muito mais gira. Panfletária, mas gira.
