Patos bravos
O mundo das televisões já não é o que era.
90 mil patos com gripe era motivo suficente para as três televisões abrirem dez especiais e anunciar a chegada da pandemia de gripe humana. Mas nada disso aconteceu.
Estou a ficar preocupado com a perda de tiques tablóides da informação televisiva. Do chamado “infortainement”. A saudável mistura da informação e do espectáculo. A televisão em estado puro. A televisão perfeita.
Mas não. Os patos estão a ser massacrados e nenhuma repórter histérica grita na tv. O terrível vírus H5N2 anda aí à solta e ninguém proclama a peste negra, o fim do mundo.
E porquê?
Bom, o grande mérito é da malta da saúde.
Ontem à noite, enquanto os veterinários e restante pessoal da agricultura jantava em casa com a família - talvez um arroz de pato no forno - a equipa da saúde ocupou os telejornais.
Na rtp o director-geral da saúde Francisco George ganhou a abertura ao caso Maddie Maccan, a subdirectora Graça de Freitas acampou no jornal da SIC e ainda apareceu Helena Rebelo de Andrade uma investigadora e perita do Centro Nacional da Gripe.
O povo ouviu e descansou.
Hoje, às 19 horas, fala do director-geral de veterinária.
Será que tudo vai continuar calmo no Jardim Zoológico português?
Ou as televisões abrirão a época da caça ao pato?
